Nem sempre é fácil criar um dialogo com o meu Eu, por vezes não sei bem por onde começar, outras vezes vejo-o demasiado ocupado a pensar sabe-se la em quê, mas quando, finalmente, consigo ganhar coragem e alguma da sua atenção para podermos ter um dialogo como gente crescida, há sempre um ruído de fundo que nos entropeça as palavras, um som estranho e irritante como se ate os pelos do corpo a crescer fizessem barulho a mais, como que até o próprio pensar fosse conduzido por uma locomotiva a carvão barulhenta e cheia de fumo negro. Raras as vezes tenho conseguido uma conversa concisa com o meu Eu, e quando as tenho acabo a desejar nunca a ter tido. É daquelas conversas com pessoas tóxicas, que nunca nos fazem bem e apenas nos conseguem puxar mais para baixo, como que se o fundo do poço não fosse o suficiente e alguém consegue arranjar uma pá em parte alguma para que se consiga escavar e afundar mais esse poço.
Já cheguei a manda-lo calar, já lhe pedi para se ir embora e desistir de ter uma relação comigo, fosse ela qual fosse, mas nessas alturas, todo o barulho desaparece e a vontade de conversar aparece mais rejuvenescida do que nunca, apenas para se afirmar, para me lembrar que terei de lidar com o meu Eu que tanto me irrita e tanto mal me faz. Enfim, não sei que lhe dizer ou fazer, já tentei de tudo e apenas me consegue contrariar os pensamentos e as ideias.
Talvez tenha de ser assim, não sei, talvez tenha de reaprender a lidar com o Eu que talvez se esteja apenas a vingar por uma época em que foi negligenciado, talvez esteja apenas carente de atenção e agora faça birra a cada tentativa de aproximação, não sei.
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