sábado, 3 de janeiro de 2026

Ausência de urgência

Vive-se em correria atrás de correria, atolados de urgências enfadonhas que delegam a importância de Ser para cubículos ondem não cabemos.
 Tempos de caminhadas rápidas sobre o asfalto quente, entorpece o corpo gasto de viajar para lado algum. Paisagens que os olhos jamais recordarão, por não terem tempo de as ver, por serem tudo aquilo que a alma não quis contemplar. 
Urgência atrás de urgência, um devorar de momentos que jamais iremos voltar a ter. A primeira vez que passsou sem que a seguinte seja opção de troca, sem lugar para permanecer, apenas a urgência de a  viver. 
Sons de várias cores, ruídos que nos levam para parte incerta, deixando uma neblina de emoções por sentir. Vazios de um eco que foi futuro passado, num mundo algures distante, ainda ontem. 
 A esperança de tudo isto fazer sentido, a certeza de ser apenas isto, um cubículo de vida onde não cabe o Ser de alguém. 
Perde-se o fio, ficamos sem pé, agarrados e suspensos a memórias que, de tão vagas, magoam pela ausência de sentir. Não deixamos a porta aberta para outros cubículos que não caibam em nós, em certezas de desconhecer o Ser que lhe possa habitar, mas a urgência de não abrandar, de não questionar para saber, segue-nos a urgência de viver. 
Não foi por ti que a paisagem não passou, não foi pela tua urgência que a vida não abrandou, apenas o teu Ser não acompanhou a leveza da vida.

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