segunda-feira, 10 de julho de 2023

Ciúmes da lua

Estou cansado, esgotei as minhas forças contigo, quando tinha pouco dei o que sobrou de mim, esvaziei o meu ser por ti, tentando agarrar o pouco que nos restava, aquele fio vermelho que nos poderia unir num destino ancestralmente traçado, mas vejo-te fugir por entre os dedos, como a areia da praia numa tarde quente de sol onde o corpo cansado cai sobre o areal.
Hoje sinto este vazio, este ciúme que me preenche a alma. Ciúme das pequenas coisas que te preenchem a vida e que não me é permitido dar-te. Ciúme do chão que os teus pés caminham, ciúme do objecto insignificante que os teus dedos tocam. Vejo-me a desejar que um dia me possas querer, que um dia me venhas dizer que não preciso ter mais ciúmes da lua por te ver todas as noites, que não preciso ter ciúmes do sol, pois serão as minhas mãos a acariciar o teu cabelo, que me peças para ser eu a matar a tua sede nas tarde de verão.
Um dia, talvez todo este ciúme seja apenas uma breve lembrança do quanto desejei ser eu em ti, do quanto o mundo me colocou a prova para garantir que o nosso fio vermelho era verdadeiro e forte o suficiente para aguentar uma tempestade sem quebrar. Um dia, não terei ciúmes de nada em ti, serei apenas o teu desejo do melhor que o mundo te poderá dar.

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