Dia após dia, luta após luta, a necessidade de correr atrás, de cerrar os dentes e vincar as unhas nos ténues fios em que os sonhos se guardam em suspenso na mente. A obrigação de cumprir o desejado, o medo de falhar que alimenta a alma tornando-o em força para não desmoronar. A constante ansiedade de ser amanhã, a urgência de querer o tempo na palma da mão, o desejo de controlar a areia que escapa por entre os dedos, a vontade de ter e prender num abraço o mundo que não me pertence.
A dor no peito, que sufoca a cada suspiro, que adormece a alma e faz desvanecer os sonhos, lembra-me que é tão mais fácil abrandar, desistir, abrir mão... e então olho para o que me resta, o abismo vazio, o conforto de não ser, a ausência de culpa por não ter, a permissão de desistir sem qualquer ressentimento. Tão mais fácil.
A visão escurece, a dor no peito abranda, de olhos fechados imagino-me sem mundo, apenas o vazio, de vozes, de sons, de cheiros, de sentimentos... apenas o corpo imóvel, sem alma que o possa obrigar a lutar, apenas um equilíbrio entre o limbo e o abismo.
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