Nunca chegaremos a partir realmente para parte alguma, por mais superficiais que sejam as raízes, teremos sempre onde nos fixar, em lugares, momentos, ideias, em algum sentimento, mas nunca chegaremos a partir. Estes pequenos pedaços de terra que se encontram, que se confundem entre si, que se entrelaçam por entre sorrisos, olhares, sentimentos ligeiros ou profundos, nunca serão tão nossos, tão sós, como este chão que suporta a dor de viver nesta ilha a que chamo de alma. Nunca saberei o que é ter uma ilha só minha, viver do cultivo que eu próprio criei, do esforço e trabalho que nela dediquei, haverá sempre uma réstia de algo deixado por alguém que aqui passou, haverá sempre sementes deixadas cair dos bolsos rotos de um visitante que fez de um passagem, já era sempre uma arvore de fruto plantada outrora por alguém que quis fazer da minha ilha o seu porto de abrigo, haverá sempre algo de ti em mim para que me possa lembrar que não sobrevivo apenas do ar que respiro, para que me possa lembrar que esta ilha foi construída por mim e por todos aqueles que aqui passaram.
"Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós." Antoine de Saint-Exupéry
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